12.12.2017
Imprensa


Revista Encontro







TRABALHO
(Márcia Queiros)


Consultoria: Maria Aparecida Araújo


Etiqueta Empresarial

O saber se comportar e a aparência são questões cada vez mais exigidas para o executivo moderno.

Ele chegou com uma hora de atraso ao almoço de negócios, na pressa deixou de fazer a barba, foi deselegante com uma funcionária, subiu pelo elevador falando ao celular e deu boas tragadas onde se lia "é proibido fumar". Detalhe: é formado em Administração, Economia, fala três línguas e tem MBA. Apesar do currículo, seu negócio foi por água abaixo após a reunião. Comportamentos como o do jovem executivo em compromissos de trabalho, que, para alguns, podem significar um mero jeito de ser, seja por displicência ou desvalorização de delicadezas, impossibilitam uma carreira promissora. Antes restritas ao mundo social, as boas maneiras, hoje, são ferramentas essenciais à vida profissional.

Prova disso é a grande procura pelos cursos de etiqueta empresarial, que atraem não só empresários, mas executivos, políticos, profissionais liberais e da área de vendas, gerentes, secretárias, administradores, aspirantes à carreira diplomática e pessoas em busca de recolocação no mercado. Parceira da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a empresa Etiqueta Empresarial Executive Manners Consulting, com atuação no eixo Rio/São Paulo, programa para este mês (maio) um curso e uma palestra para ensinar bons modos a profissionais mineiros. O primeiro trabalho da empresa no Estado aconteceu no Hotel Ouro Minas, em maio de 2002, onde 300 pessoas assistiram ao curso de Etiqueta Empresarial, definida como o conjunto de normas que regem o comportamento no mundo dos negócios.

Há 20 anos treinando profissionais, a professora Maria Aparecida Araújo diz que pontualidade, aparência bem cuidada e saber portar-se bem à mesa, além de ser elegante ao telefone, são atitudes imprescindíveis. Nas aulas, ela ensina desde formas corretas de cumprimento, apresentação, vestuário e comportamento, sem contar orientações sobre como usufruir de recursos eletrônicos, como telefone, videoconferência e e-mail. "O treinamento também faz com que as pessoas aprimorem a comunicação, aprendendo a ouvir e falar na hora certa e com a entonação adequada", cita o economista Cláudio Pelizari, diretor da Etiqueta Empresarial Executive Manners Consulting.

Quem faz o curso aprende ainda a criticar com resultados positivos, transformar reclamações em vendas e lidar com colegas e clientes de temperamento difícil, apresentar idéias e projetos com eficiência, conduzir reuniões e, até mesmo, contornar situações mais graves como o assédio sexual. E em tempos de globalização, os empresários recebem conhecimentos para transitar com desenvoltura em qualquer parte do mundo, respeitando as diferenças culturais.

Mas por que as regras de boa conduta, antes ensinadas na infância pelos pais ou nos colégios freqüentados por filhos de famílias tradicionais, chegam hoje a um curso voltado para adultos, muitos já até pós-graduados? Para Cláudio Pelizari, as causas estão na migração das mulheres do papel de educadoras integrais dos filhos para o trabalho fora de casa.

"Desde que as mulheres foram obrigadas a deixar seus lares para buscar posições no mercado de trabalho, a educação chamada de berço passou a ser delegada a outras pessoas, trazendo como conseqüência a falta quase total de conhecimento das regras mais básicas de boas maneiras e polidez. As escolas também substituíram as aulas dessa disciplina, muito valorizadas no Brasil até a década de 60, por conteúdos que julgavam mais importantes", acredita o economista.

Cláudio e Maria Aparecida contam que muitos profissionais, após deixarem as universidades, chegam ao mundo corporativo e percebem que essas competências fazem falta. "Os erros se tornam visíveis na aparência pessoal, nos gestos, na entonação e no palavreado, passando depois para os modos, apertos de mão, troca de cartões de visita, conduta em elevadores e restaurantes e uso do telefone e do celular", diz o consultor, lembrando que as pessoas nem se dão conta das gafes que cometem, prejudicando sua carreira e arranhando a imagem das empresas onde trabalham.

Cláudio Pelizari relata que há grande procura de profissionais mineiros pelo curso. Na visão dos dois especialistas, os mineiros em geral tratam com mais cuidado o quesito aparência. Muitos os procuram com dúvidas quanto à maneira correta de se vestir e se comportar. "Valorizam também o ato de receber pessoas em casa, decoração de ambientes profissionais e domésticos e boas maneiras à mesa", destaca Cláudio, cuja empresa conta também com dinâmicas de grupo, atividades de psicomotricidade laboral e oficina de memória.


Dicas de Etiqueta Empresarial

Ser bem-educado exige algumas atitudes fundamentais. Esmerar-se nas boas maneiras quando tiver que:

· Expressar-se verbalmente: jamais fale palavrões.

· Escrever cartas, cartões, memorandos ou bilhetes: dê sempre um cunho elegante e positivo nos textos.

· Manter amizades: lembre-se de sempre de ser gentil com os amigos e familiares nas datas importantes.

· Respeitar os ausentes: pessoas elegantes não perdem seu tempo com fofocas e comentários sobre a vida alheia.

· Tratar com pessoas socialmente carentes: não desconsiderar os menos favorecidos, tratar a todos com respeito independentemente da hierarquia.

· Conduzir os negócios conservando a ética e a honestidade em suas relações com clientes, empregados fornecedores.

· Dirigir e estacionar o carro: quem é grosseiro no trânsito, certamente será grosseiro em outras situações.

· Ceder espontaneamente o seu lugar para idosos, gestantes ou deficientes físicos.

· Cumprimentar e agradecer os profissionais que o transportaram.

· Entrar ou sair do táxi: cumprimentando o motorista ao embarcar, agradecendo ao sair e não fazendo questão de trocos irrisórios.

· No elevador: sabendo que em seu interior não se fuma, não se conversa nem se fala ao celular. Fundamental é cumprimentar o ascensorista ao entrar e agradecer ao sair.


Ser bem-educado é:

· Adotar práticas corretas de conduta e caráter.

· Cuidar da linguagem corporal, dos gestos, da expressão facial, da postura quando em pé ou sentado.

· Saber sentar, levantar-se, comer, apresentar corretamente as pessoas, usar cartões de visita, cumprimentar, presentear e ser presenteado, pedir licença, agradecer, dizer não, criticar sem ofender, ser pontual, conversar de forma agradável, ser um bom ouvinte e, principalmente, ter autocrítica e perceber quando deve desculpar-se.
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